Como se tornar mediador: percurso prático e requisitos para atuar em CEJUSCs e câmaras privadas
Saiba como se tornar mediador, cumprir a formação de 100 horas, realizar estágio supervisionado e conhecer os requisitos para atuar em CEJUSCs e câmaras privadas.
Conteúdo educacional — Centromediar · Revisado pela equipe acadêmica · Última atualização: 23 de setembro de 2026
Este guia organiza o percurso desde o primeiro contato com a mediação até a preparação para atuar. Você encontrará diferenças entre mediação judicial e extrajudicial, explicações sobre formação e estágio, o papel dos CEJUSCs e das câmaras privadas, técnicas fundamentais e orientações para construir um portfólio profissional responsável.
O que é mediação de conflitos?
A mediação é um método consensual no qual um terceiro imparcial facilita a comunicação entre pessoas em conflito. O mediador ajuda a identificar questões, compreender interesses e explorar possíveis soluções, mas não substitui a vontade dos participantes, não atua como juiz e não impõe decisões. As partes preservam o protagonismo sobre a construção de uma solução consensual, dentro dos limites legais.
A Lei nº 13.140/2015 relaciona a mediação aos princípios da imparcialidade, isonomia entre as partes, oralidade, informalidade, autonomia da vontade, busca do consenso, confidencialidade e boa-fé. Esses princípios orientam tanto o procedimento quanto a conduta profissional.
Mediação e conciliação são a mesma coisa?
Não. Na mediação, o terceiro facilita o diálogo e ajuda os interessados a elaborar suas próprias alternativas. Na conciliação, o conciliador pode apresentar propostas de solução, sem constrangimento e dentro dos limites legais e éticos. O Código de Processo Civil prevê atuações preferenciais diferentes conforme, entre outros fatores, a existência de vínculo anterior; isso não transforma a distinção em uma regra absoluta sobre quais conflitos cabem em cada método. Veja o guia sobre a diferença entre mediação e conciliação.
Quando a mediação de conflitos pode ser aplicada?
A escolha depende da natureza do conflito, da disposição dos participantes, dos direitos envolvidos e das condições concretas de segurança e equilíbrio. Mediação não é uma solução universal.
Mediação judicial
Pode ocorrer durante um processo ou em procedimento pré-processual vinculado ao Judiciário. Os Centros Judiciários de Solução Consensual de Conflitos e Cidadania — CEJUSCs — integram a política de tratamento adequado de conflitos e oferecem estrutura para conciliação, mediação e cidadania. O mediador atua conforme cadastro, designação e regras do tribunal; um certificado, sozinho, não autoriza o início imediato das sessões.
Mediação extrajudicial e câmaras privadas
Fora do Judiciário, a mediação pode tratar de conflitos entre sócios, divergências contratuais, relações condominiais, questões empresariais e controvérsias patrimoniais. A atuação privada de um mediador e o credenciamento de uma câmara para colaborar com o Judiciário são situações diferentes, sujeitas a requisitos próprios.
Mediação familiar
Pode apoiar conversas sobre responsabilidades familiares, comunicação e questões patrimoniais. Exige atenção às vulnerabilidades, ao equilíbrio de participação e aos direitos envolvidos. Em situações de violência, ameaça, coerção ou desequilíbrio significativo de poder, a adequação do procedimento e os mecanismos de proteção precisam de avaliação cuidadosa. A mediação não substitui medidas protetivas nem atendimento especializado.
Mediação organizacional
Empresas podem utilizar mediação em divergências entre departamentos, conflitos entre sócios, problemas recorrentes de comunicação e desacordos sobre responsabilidades. Ela pode prevenir escaladas e tratar conflitos, mas não substitui investigações formais, mecanismos de proteção, obrigações trabalhistas ou medidas obrigatórias de compliance. Aprofunde-se no artigo sobre mediação organizacional em empresas.
Quais técnicas um mediador precisa dominar?
Escuta ativa
Ouvir não é apenas esperar a própria vez de falar. É compreender narrativas, interesses, sentimentos e necessidades. Se alguém afirma que a outra pessoa nunca cumpre os horários combinados, o mediador pode investigar as consequências disso e o que cada participante considera necessário para reorganizar a relação.
Perguntas abertas
Perguntas abertas exploram interesses sem induzir uma resposta: “O que precisaria acontecer para que você considerasse possível avançar nesta conversa?”. Elas ampliam a compreensão, enquanto perguntas direcionadas podem impor a hipótese do próprio mediador.
Reformulação e recontextualização
Diante da afirmação “Ele nunca me respeita”, uma reformulação possível seria: “Entendo que a forma como as decisões são comunicadas é importante para você. Podemos explorar o que precisaria mudar nessa comunicação?”. O objetivo é tornar a questão trabalhável, sem apagar o conflito ou concordar com uma das partes.
Negociação baseada em interesses
Posição é o que alguém declara querer; interesse é a razão subjacente. O mediador ajuda a identificar o pedido, sua importância, alternativas e critérios objetivos. Isso não reduz toda mediação a uma negociação distributiva: relações, reconhecimento e necessidades não materiais também podem ser relevantes.
Comunicação Não Violenta
Observação, sentimentos, necessidades e pedidos são elementos frequentemente associados à CNV. Eles podem apoiar a compreensão da comunicação e a formulação de perguntas, mas funcionam como ferramenta complementar — não substituem as exigências jurídicas e éticas da mediação. Veja exemplos no conteúdo sobre comunicação para mediadores.
Ética profissional
Imparcialidade, confidencialidade, independência, revelação de conflitos de interesse, limites da atuação e respeito à autonomia são essenciais. O Anexo III da Resolução CNJ nº 125/2010 contém o Código de Ética de Conciliadores e Mediadores Judiciais. Se o mediador reconhece relação profissional anterior com um participante, deve avaliar impedimento e revelar as circunstâncias pertinentes conforme as regras aplicáveis.
Quais são os requisitos legais para ser mediador?
Requisitos para mediador judicial
O art. 11 da Lei nº 13.140/2015 exige pessoa capaz, graduada há pelo menos dois anos em curso superior de instituição reconhecida pelo MEC e capacitada em escola ou instituição de formação reconhecida pela Enfam ou pelos tribunais, além dos requisitos mínimos das autoridades competentes. Não é necessário ser advogado.
O interessado deve consultar os requisitos de inscrição, documentação e cadastro do CNJ e do tribunal em que pretende atuar. Para ingresso na formação de mediador judicial, a regulamentação apresentada na seção institucional de requisitos para inscrição inclui idade mínima de 21 anos e a documentação correspondente, sem afastar as regras locais do tribunal.
Requisitos para mediador extrajudicial
O art. 9º da mesma lei permite a atuação de pessoa capaz, que tenha a confiança das partes e seja capacitada para mediar, independentemente de inscrição em conselho profissional ou associação. Os requisitos de graduação da mediação judicial não são transferidos automaticamente. Uma câmara privada pode adotar critérios internos adicionais de seleção.
Qual é o papel da Resolução CNJ nº 125/2010?
A Resolução CNJ nº 125/2010, em seu texto compilado vigente, instituiu a política nacional de tratamento adequado dos conflitos. Ela organiza funções dos NUPEMECs e CEJUSCs, diretrizes de capacitação, estágio supervisionado e ética. O Anexo I trata da formação; o Anexo III, do código de ética.
Como se tornar mediador: percurso prático em seis etapas
Percurso para atuar como mediador: da escolha da formação ao cadastro profissional
- 1
Definir o campo de atuação
Escolher entre mediação judicial, conciliação, mediação privada, conflitos familiares ou organizações ajuda a identificar requisitos e formação.
- 2
Verificar os requisitos de ingresso
Conferir escolaridade, tempo de graduação, idade, documentação e regras do CNJ, do tribunal e do NUPEMEC de interesse antes da matrícula.
- 3
Escolher instituição habilitada
Consultar fontes oficiais, conteúdo, estágio e supervisão, sem confundir habilitação da escola com credenciamento automático do aluno.
- 4
Concluir a formação teórica
Estudar conflito, comunicação, negociação, ética, legislação, técnicas e condução de sessões. Na Centromediar, são 40 horas EAD.
- 5
Realizar estágio supervisionado
Cumprir atividades práticas autorizadas, registros, relatórios e supervisões conforme as regras aplicáveis. Na estrutura da escola, são 60 horas.
- 6
Certificar-se e consultar as condições de atuação
Após concluir a formação, verificar cadastro, documentos e critérios do tribunal ou os processos próprios de câmaras privadas.
Na terceira etapa, consulte a lista de instituições formadoras habilitadas pelo TJSP. A Centromediar, nome institucional do Centro Mediar & Conciliar Treinamento e Gestão Ltda., atua na formação desde 2015 e consta nesse rol público. A página oficial também indica as normas atualmente aplicáveis, inclusive o Provimento CSM nº 2.288/2015 e a Resolução Enfam nº 3/2025.
Na etapa teórica, a Centromediar oferece 40 horas EAD sobre teoria do conflito, comunicação, negociação, ética, legislação, técnicas e condução de sessões. Isso não torna toda a formação necessariamente online: o estágio segue formatos autorizados e a disponibilidade dos órgãos competentes.
O Anexo I da Resolução nº 125 estabelece módulo teórico mínimo de 40 horas-aula, complementado por estágio supervisionado de 60 a 100 horas. Na Centromediar, a estrutura é de 40 horas teóricas EAD e 60 horas práticas, totalizando 100 horas. A prática pode progredir por observação, comediação ou coconciliação e condução supervisionada. Atividades, relatórios, horas e documentos devem seguir as regras aplicáveis; o aluno não decide unilateralmente o que será contabilizado.
A disponibilidade dos CEJUSCs depende de procedimentos e agendas das unidades. A escola orienta documentação, contato, encaminhamento e acompanhamento acadêmico, respeitando a organização dos órgãos. Não há promessa de vaga imediata ou prazo fixo. Entenda em detalhes o estágio supervisionado de mediação e conciliação.
Por fim, certificação e atuação não são sinônimos. Depois de concluir a formação, o profissional consulta o tribunal sobre cadastro e critérios locais. Para a atuação privada, pesquisa câmaras e serviços compatíveis com sua formação e experiência. Nem todo certificado é aceito automaticamente por qualquer tribunal.
Como funciona a atuação profissional em CEJUSCs?
CEJUSC significa Centro Judiciário de Solução Consensual de Conflitos e Cidadania. É importante separar quatro momentos: participar como aluno no estágio; concluir a formação; solicitar cadastro profissional; e ser efetivamente designado para sessões. Cada etapa tem finalidade e requisitos próprios.
O NUPEMEC é referência no tribunal para orientações e procedimentos relacionados à política de tratamento adequado dos conflitos. Participar de atividades supervisionadas não representa contratação pelo tribunal. Consulte as orientações do CNJ para conciliadores e mediadores e a página do TJSP sobre capacitação e cadastro.
Existe remuneração garantida?
Não. A remuneração depende do regime aplicável, das normas do tribunal, da modalidade de atuação e das condições concretas do serviço. Formação e estágio não asseguram renda, vínculo empregatício, contratação ou quantidade de sessões.
Como trabalhar em câmaras privadas de mediação?
O percurso costuma envolver identificar as áreas atendidas pela câmara, consultar requisitos, preparar currículo técnico, demonstrar formação e experiência, conhecer regulamento e código de ética e verificar condições de contratação ou integração ao quadro profissional. A habilitação de uma escola perante o TJSP não credencia automaticamente seus alunos em câmaras privadas, e a escola não promete indicações profissionais.
Como construir um portfólio de atuação em mediação?
Nos primeiros meses, organize um portfólio que apresente competências e experiências demonstráveis sem violar a confidencialidade. Inclua apresentação profissional, certificados, áreas de interesse, formação complementar, competências técnicas, participação em eventos e estudos, experiências legitimamente divulgáveis e contatos profissionais.
Relatórios de estágio e dados de participantes não devem ser publicados. Use estudos fictícios ou materiais expressamente autorizados, sem expor informações protegidas. O portfólio não substitui cadastro, registro ou credenciamento quando exigidos.
Exemplos práticos de mediação de conflitos
Situações hipotéticas ilustrativas
Caso 1 — Mediação familiar
Dois familiares discordam sobre responsabilidades relacionadas ao cuidado de uma pessoa idosa. O mediador estrutura a comunicação, identifica interesses e apoia a discussão de alternativas, sempre considerando autonomia, direitos da pessoa idosa e vulnerabilidades.
Caso 2 — Mediação empresarial
Dois sócios divergem sobre responsabilidades e critérios decisórios. Escuta ativa, perguntas abertas e identificação de interesses ajudam a examinar alternativas de governança e eventual formalização com apoio profissional adequado.
Caso 3 — Mediação em contexto judicial
Duas pessoas em conflito recorrente de vizinhança comparecem a uma sessão. O mediador estabelece regras de comunicação, organiza as questões e auxilia na exploração de possibilidades de convivência. O resultado pode ser acordo, acordo parcial ou ausência de consenso.
A formação da Centromediar
A Centromediar desenvolve formações em mediação e conciliação com conteúdo teórico, aplicação prática e acompanhamento acadêmico. Sua formação judicial de 100 horas é organizada em 40 horas de fundamentação teórica EAD e 60 horas de estágio supervisionado, conforme a estrutura informada pela escola e as normas aplicáveis.
A instituição orienta alunos sobre procedimentos de estágio, documentação, prazos, contatos com CEJUSCs e participação em supervisões. A escola consta no rol público de instituições formadoras habilitadas pelo TJSP. Consulte a formação em mediação e conciliação judicial e a central de recursos e fontes oficiais.
Perguntas frequentes sobre como se tornar mediador
Preciso ser advogado para atuar como mediador?
Não. A Lei de Mediação não exige graduação específica em Direito. Para a mediação judicial, porém, devem ser cumpridos os requisitos de graduação, tempo de conclusão, capacitação e demais condições aplicáveis.
Quantas horas tem a formação da Centromediar?
A estrutura informada pela instituição possui 100 horas: 40 horas teóricas EAD e 60 horas práticas supervisionadas.
O estágio supervisionado é obrigatório?
Sim, na formação judicial regida pelas diretrizes curriculares aplicáveis. A Resolução CNJ nº 125/2010 prevê módulo prático supervisionado; a Centromediar utiliza 60 horas.
Posso atuar em qualquer CEJUSC depois do curso?
Não automaticamente. A atuação depende de cadastro, requisitos, procedimentos, disponibilidade e designação do tribunal competente.
O mediador extrajudicial precisa ter graduação?
O art. 9º da Lei nº 13.140/2015 não estabelece graduação como requisito geral. Exige capacidade, confiança das partes e capacitação para mediar, sem prejuízo dos critérios de cada instituição.
Posso fazer a formação teórica online?
A Centromediar oferece a etapa teórica de 40 horas em EAD. A etapa prática deve respeitar os procedimentos, formatos autorizados e a disponibilidade dos órgãos competentes.
O curso garante emprego?
Não. A formação desenvolve competências e integra o percurso profissional, mas não garante contratação, cadastro, nomeação, quantidade de sessões ou remuneração.
Como começar a atuar em câmaras privadas?
Pesquise instituições, conheça seus regulamentos e requisitos, organize currículo e portfólio e participe dos processos de seleção ou integração profissional disponíveis.
Fontes oficiais e legislação consultada
- Lei nº 13.140/2015 — Lei de Mediação: conceitos, princípios e requisitos dos mediadores.
- Resolução CNJ nº 125/2010 — texto compilado vigente: política pública, formação, estágio e ética.
- TJSP — Instituições habilitadas para cursos: consulta pública da situação institucional.
- TJSP — Conciliadores e mediadores: orientações sobre capacitação e cadastro.
- CNJ — Perguntas frequentes para conciliadores e mediadores: percurso e condições de atuação.